Segunda-feira sempre é um dia chato. Logo ao sair de casa pensei por que não pode ser diferente, aconteça algo diferente!
Como se algum dia você pulasse 10 minutos no futuro e voltasse comecei a pensar, por quê não, dar um oi para aquela garota linda com o rosto sério que todo dia entra no ônibus. Claro que não da pra fazer isso, qualquer uma (ou até eu mesmo, pensaria que era tarado/maníaco!)
Ela entrou. Eu não acreditava, achei que estivesse imaginando ainda, não esperava, parecia um sonho. Hoje ela estáva diferente, apesar das circunstâncias, o sorriso de algumas pessoas é contagiante, aquele olhar …
Não é fácil ficar em pé dentro de ônibus carregando peso (bolsa, mochila) então sempre me ofereço para levar. Só dou lugar quando sinto que a pessoa é de idade está cansada (mais que o normal, pois todos cansamos), ou leva criança de colo, ou outro tipo que devia sentar na cadeira preferêncial, mais por algum motivo se dirige a você.
Ofereci para levar sua bolsa, logo depois ela colocou um livro de didática, que a primeiro momento, imaginei ser algo relacionado à letras.
As luzes do sol começa a aparecer, hora do meu óculos escuro.
Ela parecia muito tensa por causa do horário (iria se atrasar para prova). Eu, como não me preocupo mais (não por que sou irresponsável e sim por quê nada posso fazer) aproveitava a paisagem recheada de carros em um engarrafamento, olhando ao longe a neblina, mas nada tão encantador como o seu rosto.
Em tese sempre penso, que o estado inicial do meu espírito é felicidade pois estou vivo/feliz, nada pode ficar pior do que já está, isso é minha felicidade. Para alguns seria o forever alone, mas quando se vive assim, cada coisa boa que acontece no seu dia, contribui para aumentar sua felicidade. Em poucas palavras, penso em aproveitar somente boas coisas que vão me acontecer, o resto já era chato mesmo, nisso eu acredito, luto.
Uma hora iria entregar sua bolsa, e escutar um obrigado e tudo ia acabar. Mas como é melhor rir do que chorar em certas situações.
Vezes ela tentava ler o livro em pé, tempos depois a mesma desistiu, (andar em pé de ônibus e ler livro, e pedir pra tomar uma queda.)
Ela reclamou que ia perder a prova (engarrafamento), numa tentativa de consolar eu disse:
E eu meu emprego
(o que é verdade)
como nunca me falta humor para usá-lo em horas inadequadas, apenas falei e em gesto:
“cruze os dedos”! Ela sorriu. Simplesmente encantadora.
Um tempo depois ela sentou-se ao meu lado. Eu pensei “tenho que dizer alguma coisa” vou puxar papo, e ela tentando ler um livro. Ela faz pedagogia, o livro com certeza de alguma matéria referente a métodos de ensino. Então, quase acertei. Encantadora, mesmo parecendo aflita, não sei se lhe incomodava, mas deu para conversar um pouco. Muito profundo o olhar dela, aquele do tipo que você não esquece fácil, eu não tirei o óculos, não queria que percebesse o tanto que eu estava encantado.
Mas já era hora de ir. Até quem sabe um dia.